A beleza da Criação

A beleza da Criação

Deus escreveu um livro estupendo, «cujas letras são representadas pela multidão de criaturas presentes no universo» (João Paulo II).

E justamente afirmaram os bispos do Canadá que nenhuma criatura fica fora desta manifestação de Deus:

«Desde os panoramas mais amplos às formas de vida mais frágeis, a natureza é um manancial incessante de encanto e reverência.

Trata-se duma contínua revelação do divino» (Conferência Episcopal do Canadá). Os bispos do Japão, por sua vez, disseram algo muito sugestivo:

«Sentir cada criatura que canta o hino da sua existência é viver jubilosamente no amor de Deus e na esperança» (Conferência dos Bispos do Japão).

Esta contemplação da criação

permite-nos descobrir qualquer ensinamento que Deus nos quer transmitir através de cada coisa, porque,

«para o crente, contemplar a criação significa também escutar uma mensagem, ouvir uma voz paradoxal e silenciosa» (João Paulo II).

Podemos afirmar que, «ao lado da revelação propriamente dita, contida nas Sagradas Escrituras, há uma manifestação divina no despontar do sol e no cair da noite» (Idem).

Prestando atenção a esta manifestação, o ser humano aprende a reconhecer-se a si mesmo na relação com as outras criaturas: «Eu expresso-me exprimindo o mundo; exploro a minha sacralidade decifrando a do mundo» (Paul Ricoeur, Philosophie de la volonté).

O conjunto do universo, com as suas múltiplas relações, mostra melhor a riqueza inesgotável de Deus. São Tomás de Aquino sublinhava, sabiamente, que a multiplicidade e a variedade «provêm da intenção do primeiro agente».

O Qual quis que

«o que falta a cada coisa, para representar a bondade divina, seja suprido pelas outras» (Summa theologiae), pois a sua bondade

«não pode ser convenientemente representada por uma só criatura» (Ibidem).

Por isso, precisamos de individuar a variedade das coisas nas suas múltiplas relações.

Assim, compreende-se melhor a importância e o significado de qualquer criatura, se a contemplarmos no conjunto do plano de Deus. Tal é o ensinamento do Catecismo  da  Igreja  Católica:

«A interdependência das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal: o espectáculo das suas incontáveis diversidades e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma.

Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente no serviço umas das outras».

Papa Francisco, Laudato Si (Louvado sejas), “Sobre o cuidado da casa comum”, nn. 85 e 86.