Arquivo de etiquetas: Oratório São Josemaria

O fundamental no namoro

O fundamental no namoro

Que é fundamental num namoro?

Duas coisas: conhecer-se bem e definir um projecto de vida em comum.

Quem o diz é Maria Álvares de las Asturias, casada, mãe de quatro filhos e que trabalha com famílias na prevenção de dificuldades matrimoniais.

Para um cristão, o namoro é sempre uma preparação para o casamento. Mas, quando é que dois namorados devem decidir dar o passo de se casarem?

Quando, depois de se conhecerem bem e verificarem que é possível definir um projecto de vida em comum, descobrem que querem que esse amor que possuem um pelo outro seja uma realidade definitiva.

Esta é a grande diferença entre casar-se ou optar por outro tipo de relação.

Muitas pessoas, nos dias de hoje, gostariam de escolher um amor definitivo nas suas vidas, mas têm medo. Um medo que escraviza e paralisa!

Têm medo de que o ideal de um amor para sempre seja impossível. Basta olhar à nossa volta: quantos casamentos “desabam”! Que garantias tenho de que no meu caso será diferente?

Esta insegurança leva muitos a conformarem-se com um namoro o mais longo possível, deixando Deus de lado, dando por assente que é impossível que seja para sempre.

E este é um ponto de partida que faz desmoronar o namoro. Se começas a namorar com a convicção de que algum dia isto é capaz de afundar, podes ter a certeza duma coisa: afunda mesmo!

Amar alguém para sempre é “arriscado”. Não podemos controlar tudo. O que podemos dizer é apenas “quero amar-te sempre, até ao fim da minha vida”. E podemos dizê-lo todos os dias, mesmo que não “sintamos” nada, porque o amor reside na “decisão” da vontade e não no “vento” dos sentimentos.

E acreditemos – vivendo de fé – que Deus quer tornar realidade esse desejo sincero que pôs no nosso coração: amar o outro para sempre, sem condições de nenhum tipo.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Jantar juntos

Jantar juntos
Jantar juntos

Um estudo recente, feito no Canadá e citado por Leonard Sax num dos seus livros, chegou à conclusão de que a preocupação dos pais de jantarem habitualmente com os seus filhos possui uma enorme importância na educação.

No entanto, o estudo específica o que significa “jantar com os

filhos”. Não significa, simplesmente, comer juntos à mesma mesa e no mesmo horário. Isto é necessário, mas não é suficiente.

Jantar com os filhos, para este estudo, significa também ter a televisão desligada e não permitir o uso de telemóveis enquanto se está na refeição.

Algumas conclusões desse estudo: os filhos que jantam habitualmente com os seus pais são menos propícios a padecer problemas como sentirem-se tristes, ansiosos ou sozinhos. E são mais propícios a ajudar os outros e a mostrarem-se satisfeitos com as suas vidas.

É claro que jantar juntos não resolve todos os problemas da educação. Mas é evidente que ajuda os pais a dedicarem um tempo concreto a falar com os seus filhos, a ajudá-los a saberem comportar-se, a saberem ouvir os outros, a saberem falar do que lhes aconteceu nesse dia, a não terem caprichos na comida etc.

Se o tempo em família é o principal momento do dia para os pais – e é difícil que o seja se não têm a preocupação de jantarem juntos – é muito mais provável que os pais saibam o que acontece com os seus filhos.

Assim, se a escola enviar uma informação a dizer que o teu filho se portou mal, por favor, não vás a correr ao psiquiatra. Pergunta o que aconteceu. Fala com o professor. Faz tudo o que estiver na tua mão para ensinar o teu filho a respeitar boas normas de conduta. Recorda que tu és o primeiro responsável – não é o professor, nem é o psiquiatra – por inculcar essas boas normas ao teu filho, começando lá em casa às refeições.

Se não tens tempo para jantar com os teus filhos, é muito difícil que o faças. É o que diz o estudo. Mas, mesmo que não o dissesse, parece óbvio, não é?

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Amar é um verbo

Amar é um verbo

«Estou muito preocupado com o meu casamento. A minha mulher e eu já não sentimos nada um pelo outro. Acho que já não nos amamos. Os sentimentos – antigamente tão maravilhosos – desapareceram misteriosamente. Não sei explicar como chegámos a esta situação. O que sei é que não podemos continuar assim».

Este tipo de argumentação é, infelizmente, lugar-comum nos dias de hoje. Para muitas pessoas este modo de raciocinar é lógico e coerente. Se já não existem “sentimentos”, isso é sinal inequívoco de que o amor acabou. Não há nada a fazer.

No entanto, convém não esquecer que “amar” não é um sentimento, mas um verbo, uma acção – uma decisão da vontade!

Talvez a subtil e omnipresente influência de Hollywood nos leve a considerar os sentimentos como aquilo que de mais genuíno e verdadeiro há no ser humano. Mas isto não é verdade.

A nossa maior capacidade é “amar” – não é “sentir”. Pode-se amar muito sem sentir nada. E pode-se sentir muito e não amar verdadeiramente ninguém – excepto nós mesmos de um modo desordenado.

Conselho oportuno: ame a sua mulher decididamente. Não por si nem centrado em si, mas por ela e centrado nela. Porque decidiu fazê-la feliz mesmo que isso exija entrega. E o amor genuíno sempre exige.

Ame-a de verdade. Seja bom para com ela sem esperar nada em troca. Sacrifique-se. Ouça com interesse os problemas dela. Faça um esforço real por compreendê-la e aceitá-la como é. Está disposto a isso ou o seu egocentrismo já não o permite?

Por que razão se reduz o amor aos sentimentos?

Porque torna a vida muito mais “fácil”. Ser levado pelos sentimentos – o genuíno do “amor moderno” – faz desaparecer a responsabilidade. Deixa-se de “sentir” culpa por não amar. A “culpa” passa a ser dos sentimentos, que não é possível controlar.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O sentido genuíno do trabalho

O sentido genuíno do trabalho

Um dos problemas mais “espinhosos” da actualidade é a conciliação entre trabalho e família. Parece um dilema profundo de difícil resolução.

Para as mulheres esse dilema pode-se expressar mais ou menos assim: “Ou trabalhas ou tens filhos. Ou te dedicas à tua carreira profissional ou cuidas do teu lar”.

Para os homens o mesmo dilema costuma ter outras “tonalidades”: “Ter filhos agora complica a nossa carreira profissional. Isso seria um transtorno para o nosso casamento. Quando tudo estiver estável economicamente, então, sim. Agora, querida, não dá jeito nenhum”.

A constituição de uma família aparece como um obstáculo para o trabalho, e o trabalho também pode ser visto como um estorvo para a família. Realidades que na sua origem pareciam inseparáveis são vistas neste momento como irreconciliáveis.

O problema não se reduz à perda do sentido da família. A questão está em que se não entendemos o que é uma família, também não entenderemos o sentido profundo que possui o trabalho.

Fomos criados para amar e ser amados. Isto só se realiza no dom sincero de nós mesmos aos outros.

Só com estas premissas claras poderemos entender que o trabalho não é nunca um fim em si mesmo. Não é um âmbito de auto-afirmação ou de auto-desenvolvimento. É – deve ser – um verdadeiro serviço. Um modo de cooperar no bem comum da sociedade, começando pela que temos lá em casa, que se chama família.

É, muitas vezes, a noção do trabalho como “algo meu” – a minha carreira, os meus êxitos, o meu ordenado – que faz “rebentar” a família que tenho lá em casa.

É urgente reconquistar o sentido genuíno do trabalho como “dom de si”: serviço directo ao cônjuge, aos filhos e a toda a sociedade.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

A decisão mais importante

A decisão mais importante

Qual é a decisão mais importante na vida?
Talvez seja o que é que vamos fazer com ela.
Nós não nos demos a vida. Ela foi-nos entregue. É um presente enigmático e maravilhoso ao mesmo tempo.
Mas, apesar de não nos termos dado a vida, estamos chamados a responder à pergunta (não de um modo teórico, mas profundamente prático): o que é que eu vou fazer com a vida que me foi dada?
E a resolução mais importante parece ser: vou centrar a minha vida em mim ou nos outros?

Claro que um cristão sabe que para centrar a vida nos outros tem antes de a centrar no Outro, que nos deu a vida, e que nos pedirá contas de como a aproveitámos. Esta opção – centrar a vida em nós ou nos outros – é a que mais condicionará o resultado

A decisão mais importante
A decisão mais importante

global da nossa fugaz existência.

É a velha dicotomia expressada por Santo Agostinho há mil e seiscentos anos: dois amores diferentes constroem duas cidades diversas. O amor de Deus até à capacidade de dizer não a si próprio: a cidade celestial. O amor próprio desordenado até à triste capacidade de dizer não a Deus e aos outros: a cidade terrena.

Encontrar alguém generoso ao nosso lado pode ser uma óptima ocasião para pensar com calma: há neste mundo pessoas que se sacrificam por Deus e pelos outros. E eu? Que estou a fazer neste mundo? Que faço por Deus? Que faço pelos outros?
Tenho presente que a decisão mais importante da minha vida devo renová-la, uma vez e outra, todos os dias?
Não basta fazer coisas boas. Isso já é algo – mas é pouco. É preciso fazê-las por amor a Deus e ao próximo. Não por egoísmo ou auto-afirmação.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Frustrações

Frustrações – As pessoas, em geral, sentem-se frustradas por duas razões.

A primeira é por não conseguirem atingir o fim que se tinham proposto. Tentaram, esforçaram-se, esmifraram-se, mas não chegaram lá. Isto causa decepção e desilusão – sinónimos de frustração.

A segunda é por conseguirem atingir o fim que se tinham proposto.

Tentaram, lutaram, perderam, venceram, mas, no final, chegaram lá.

frustrações

Alcançaram o objectivo cheios de alegria e esperança.

Então, porque surge a frustração?

Porque, ao atingirem esse fim, compreendem que ele não vale tanto quanto esperavam. Ou, pelo menos, não possui aquele valor absoluto com o qual tinham sonhado. É uma decepção diferente – mas não deixa de o ser!

Exemplos deste segundo tipo de desilusão: no dia em que acabar o meu curso, aí sim, serei plenamente feliz. No dia em que me casar. No dia em que tiver um aumento de salário. No dia em que receber um prémio especial.

Porque é que nunca seremos plenamente felizes aqui na Terra?

Porque não fomos criados para isto.

“Criaste-nos, Senhor, para Ti e o nosso coração está inquieto (frustrado) enquanto não repousar em Ti” – já o disse Santo Agostinho há muitos anos atrás. A verdadeira felicidade só a podemos encontrar em Deus – que é o Absoluto que criou o nosso coração.

Acreditar em Deus – no Deus revelado por Jesus Cristo – não é um “recurso” para superar a ignorância. Não é um salto no vazio. Nem é, muito menos, uma mera luz subjectiva.

É a resposta de cada um de nós – pessoal, livre e libertadora – a Deus que Se revela. Resposta que, ao mesmo tempo, nos traz uma luz extraordinária para entender o sentido último da fugaz passagem por este mundo.

A fé é um dom de Deus que muda a nossa vida porque a enche de luz.

E, então, sim, compreendemos perfeitamente o porquê das frustrações: não fomos criados para isto; estamos aqui só de passagem.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Compromisso para sempre

O casamento é sempre um chamamento a uma entrega incondicional ao outro por amor. Para o amor ser genuíno, o desejo de entrega tem de ser para sempre: “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida”.

Por esse motivo, é muito importante a preparação prévia para esse compromisso: o namoro. O que está em jogo é tão grande e afecta tanto a felicidade das pessoas que o namoro nunca pode ser uma simples brincadeira sentimental. Isso seria brincar com o fogo e “ter cá uma fezada de que, no meu caso, ele é capaz de não me queimar”. Néscia ilusão que sempre passou factura!

Desde o primeiro momento, é preciso que o namoro seja um verdadeiro caminho de fé.

Necessito conhecer as convicções profundas do outro. Para isso, é necessário muito diálogo e não ter medo de discordar, quando for o caso. Não temos de concordar em tudo. Mas temos de concordar no que é essencial. Senão, a casa virá abaixo, mais cedo ou mais tarde.

E, atenção: é muito enganador “resolver” as discórdias recorrendo a manifestações de carinho! Como se elas fossem uma varinha mágica capaz de fazer desaparecer os problemas. Eles só desaparecem na aparência.

As convicções profundas do outro adequam-se ao que eu penso que deve ser o pai ou a mãe dos meus futuros filhos?

Não?

Então, é prudente terminar o namoro.

Vai doer?

É muito mais salutar e sábio que doa agora – dói menos! – do que depois.

Mais: até diria que é necessário conhecer algumas convicções profundas do outro antes de decidir-se a começar o namoro.

Temos a mesma ideia sobre o que é o amor? Essa ideia corresponde à verdade? Captamos a relação que existe entre o amor, o compromisso e a entrega?

Como alguém dizia, para uns o amor é romanticismo, para outros é sexo. Para nós, cristãos, é entrega: compromisso para sempre!

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O Anjo da Guarda

O Anjo da Guarda

Para nunca nos deixar sozinhos, Deus pôs ao lado de cada um de nós um Anjo da Guarda que nos ampara, defende e acompanha na vida. Compete a nós saber aceitar a sua presença, ouvindo os seus conselhos com a docilidade de uma criança a fim de nos mantermos no caminho certo rumo ao Paraíso, fortalecidos pela sabedoria popular que nos recorda: o diabo “faz as panelas, mas não as tampas”.

Na oração eucarística IV, há uma frase que nos faz reflectir. Com efeito, dizemos ao Senhor: «Quando, pela sua desobediência, o homem perdeu a tua amizade, Tu não o abandonaste». Pensemos em quando Adão foi expulso do Paraíso: o Senhor não disse “desenrasca-te!”, não o abandonou. Deus enviou sempre ajudas (…). Lê-se no trecho bíblico (Ex 23, 20-23): «Eis que

Eu envio um anjo diante de ti, para te guardar no caminho e para te fazer entrar no lugar que Eu te preparei». O Senhor não o abandonou, mas caminhou com o seu povo, caminhou com aquele homem que tinha perdido a amizade com Ele: o coração de Deus é um coração de pai e nunca abandona os seus filhos.

A liturgia faz-nos reflectir acerca disto, e também sobre um modo particular de companhia, de ajuda que o Senhor nos deu a todos: os Anjos da Guarda (…). Na oração, no início da missa deste dia, pedimos a graça de que no caminho da vida sejamos amparados pela sua ajuda para depois gozarmos com eles no Céu (…).

O Anjo da Guarda anda sempre connosco e esta é uma realidade: é como um embaixador de Deus (…). Ele aconselha-nos, acompanha-nos e caminha connosco em nome de Deus. «Se ouvires a sua voz e fizeres o que Eu te disser, Eu serei o inimigo dos teus inimigos e o adversário dos teus adversários (Ibidem) (…).

Deus envia-nos o Seu anjo para nos libertar, para nos afastar do medo e nos livrar da desventura. Pede-nos unicamente para o ouvir e respeitar. Só isto: respeito e escuta. O respeito e a escuta deste companheiro de caminho chama-se docilidade: o cristão deve ser dócil ao Espírito Santo, mas esta docilidade começa por sermos dóceis aos conselhos deste companheiro de caminho (…).

É “o ícone da criança” que Jesus escolhe, quando quer dizer como deve ser um cristão. «Quem se fizer pequenino como esta criancinha será o maior no reino dos céus (…). Não desprezeis um só destes pequeninos, porque vos digo que os seus anjos nos céus vêem sempre o rosto de meu Pai que está nos céus» (Mt 18, 1-5.10)

(…). A docilidade ao Anjo da Guarda torna-nos como as crianças: não soberbos, mas humildes; faz-nos pequeninos, não altivos como quem é orgulhoso ou soberbo (…). É esta docilidade que nos torna grandes e nos leva ao Céu.

Papa Francisco, Meditação matutina,
Capela Domus Sanctae Marthae, 2-10-2015

Ano da Misericórdia

Ano da Misericórdia

Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré.

O Pai, «rico em misericórdia» (Ef 2, 4), depois de ter revelado o seu nome a Moisés como «Deus misericordioso e clemente, vagaroso na ira, cheio de bondade e fidelidade» (Ex34, 6), não cessou de dar a conhecer, de vários modos e em muitos momentos da história, a sua natureza divina.

Na «plenitude do tempo» (Gl 4, 4), quando tudo estava pronto segundo o seu plano de salvação, mandou o seu Filho, nascido da Virgem Maria, para nos revelar, de modo definitivo, o seu amor. Quem O vê, vê o Pai (cf. Jo 14, 9). Com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus.

Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia.

É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o acto último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida.

Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado. Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia; para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai.

Foi por isso que proclamei um Jubileu Extraordinário da Misericórdia como tempo favorável para a Igreja, a fim de se tornar mais forte e eficaz o testemunho dos crentes.

O Ano Santo abrir-se-á no dia 8 de Dezembro de 2015, solenidade da Imaculada Conceição.

Papa Francisco, Misericordiae Vultus.
Bula de proclamação do Jubileu da Misericórdia, n. 1-3.

Mãe de Misericórdia

Mãe_Misericórdia_OratórioO pensamento volta-se agora para a Mãe da Misericórdia.

A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus. Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor.

Escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus,

Maria foi preparada desde sempre, pelo amor do Pai, para ser a Arca da Aliança entre Deus e os homens. Guardou, no seu coração, a misericórdia divina em perfeita sintonia com o seu Filho Jesus. O seu cântico de louvor, no limiar da casa de Isabel, foi dedicado à misericórdia que se estende de geração em geração (Lc 1, 50). Também nós estávamos presentes naquelas palavras proféticas de Nossa Senhora. Isto servir-nos-á de conforto e apoio no momento de atravessarmos a Porta Santa para experimentar os frutos da misericórdia divina.

Ao pé da cruz, Maria, juntamente com João, o discípulo do amor,

é testemunha das palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus. O perdão supremo oferecido a quem O crucificou, mostra-nos até onde pode chegar a misericórdia de Deus. Maria atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém. Dirijamos-Lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-Lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto de misericórdia, do seu Filho Jesus.

Papa Francisco, Bula Misericordiae Vultus, 24