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Não acertar no alvo

Oratorio S. Josemaria – Não acertar no alvo
Não acertar no alvo

Deus criou o homem para que ele seja feliz. Feliz aqui na Terra e feliz depois na Vida eterna.

No entanto, como alguém disse, «parece que a maioria dos homens que passam por este mundo nasce, cresce, casa-se, tem filhos, envelhece e morre sem nunca encontrar a verdadeira felicidade».

Porque é que isto é assim?

A fé diz-nos claramente que o único inimigo verdadeiro da felicidade é o pecado. Além disso, diz-nos também que herdamos dos nossos primeiros pais uma natureza humana que está inclinada para o mal devido ao pecado das origens.

Não somos maus – mas estamos misteriosamente inclinados para o mal. E a reposta mais humana para esta realidade palpável é a doutrina católica sobre o pecado original.

O problema é que, hoje em dia, perdeu-se a noção do que significa a palavra “pecado”.

Alguns pensam que é um simples “tabu” inventado com o fim de que nos portemos bem. Outros pensam, erradamente, que Deus não deseja a nossa felicidade nesta Terra. Somente depois na Vida eterna. Por isso, resolveu decretar que é pecado tudo aquilo que gostamos de fazer. Só para nos aborrecer!

Em grego, língua original do Novo Testamento, pecado diz-se “hamartia” que significa, entre outras coisas, “falhar na meta” ou “não acertar no alvo”. Não compreenderemos bem a realidade do pecado enquanto não soubermos detectar o desejo de felicidade insatisfeito que o gera.

A nossa verdadeira felicidade encontra-se somente em Deus. Se não enchemos o nosso coração de amor a Ele e ao próximo por Ele, o coração vai procurar encher-se de coisas que não são capazes de o saciar.

Isso é a essência do pecado: procurar a felicidade onde ela não está.

Podemos encontrar no pecado uma “felicidade passageira”, efémera. No entanto, logo a seguir, vem a amargura de não termos acertado no alvo para o qual fomos criados.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Ser Cristo presente entre os homens

Ser Cristo presente entre os homens

Cristo presente entre os homensDeus chama-nos através dos incidentes da vida de cada dia, no sofrimento e na alegria das pessoas com quem convivemos, nas preocupações dos nossos companheiros, nas pequenas coisas da vida familiar.

Deus também nos chama através dos grandes problemas, conflitos e ideais que definem cada época histórica, atraindo o esforço e o entusiasmo de grande parte da Humanidade.

Compreende-se muito bem a impaciência, a angústia, os inquietos anseios daqueles que, com uma alma naturalmente cristã, não se resignam perante a injustiça individual e social que o coração humano é capaz de criar.

Tantos séculos de convivência dos homens entre si, e ainda tanto ódio, tanta destruição, tanto fanatismo acumulado em olhos que não querem ver e em corações que não querem amar!

Os bens da Terra, repartidos entre muito poucos; os bens da cultura, encerrados em cenáculos…

E, lá fora, fome de pão e de sabedoria;

vidas humanas – que são santas, porque vêm de Deus – tratadas como simples coisas, como números de uma estatística!

Compreendo e compartilho dessa impaciência, levantando os olhos para Cristo, que continua a convidar-nos a pormos em prática o mandamento novo do amor.

Todas as situações que a nossa vida atravessa trazem-nos uma mensagem divina, pedem-nos uma resposta de amor, de entrega aos outros (…).

É preciso reconhecer Cristo que nos sai ao encontro nos nossos irmãos, os homens. Nenhuma vida humana é uma vida isolada; entrelaça-se com as outras.

Nenhuma pessoa é um verso solto; todos fazemos parte de um mesmo poema divino, que Deus escreve com o concurso da nossa liberdade. Nada há que seja alheio ao interesse de Cristo (…).

Devemos amar o mundo, o trabalho, as realidades humanas.

Porque o mundo é bom. Foi o pecado de Adão que desfez a harmonia divina da criação.

Mas Deus Pai enviou o seu Filho unigénito para restabelecer a paz, para que nós, tornados filhos de adopção, pudéssemos libertar a criação da desordem e reconciliar todas as coisas com Deus.

Cada situação humana é irrepetível, fruto de uma vocação única, que se deve viver com intensidade, realizando nela o espírito de Cristo.

Assim, vivendo cristãmente entre os nossos iguais, com naturalidade mas de modo coerente com a nossa fé, seremos Cristo presente entre os homens.

S. JOSEMARIA, Cristo que Passa, nn. 110-113.

Tempo da quaresma

Tempo da quaresma

Entramos no tempo da Quaresma: tempo de penitência, de purificação, de conversão. Não é fácil tarefa. O cristianismo não é um caminho cómodo; não basta estar na Igreja e deixar que os anos passem. Na nossa vida, na vida dos cristãos, a primeira conversão – esse momento único, que cada um de nós recorda, em que advertimos claramente tudo o que o Senhor nos pede – é importante; mas ainda mais importantes e mais difíceis são as conversões sucessivas. É preciso manter a alma jovem, invocar o Senhor, saber ouvir, descobrir o que corre mal, pedir perdão, para facilitarmos o trabalho da graça divina nessas sucessivas conversões.

Invocabit me et ego exaudiam eum, lemos na liturgia deste Domingo: Se me chamardes, Eu vos escutarei, diz o Senhor. Reparai nesta maravilha que é o cuidado que Deus tem por nós, sempre disposto a ouvir-nos, atento em cada momento à palavra do homem. Em qualquer altura – mas agora de modo especial, porque o nosso coração está bem disposto, decidido a purificar-se – Ele nos ouve e não deixará de atender ao que Lhe pede um coração contrito e humilhado.

O Senhor ouve-nos para intervir, para Se meter na nossa vida, para nos livrar do mal e encher-nos de bem: eripiam eum et glorificabo eum, Eu o livrarei e o glorificarei, diz do homem. Portanto: esperança do Céu. E aqui temos, como doutras vezes, o começo desse movimento interior que é a vida espiritual. A esperança da glorificação acentua a nossa fé e estimula a nossa caridade. E, deste modo, as três virtudes teologais – virtudes divinas que nos assemelham ao nosso Pai, Deus – põem-se em movimento.

S. JOSEMARIA, Cristo que passa, n. 57.

Homilia pronunciada no dia 2 de Março de 1952, 1º Domingo da Quaresma