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A decisão mais importante

A decisão mais importante

Qual é a decisão mais importante na vida?
Talvez seja o que é que vamos fazer com ela.
Nós não nos demos a vida. Ela foi-nos entregue. É um presente enigmático e maravilhoso ao mesmo tempo.
Mas, apesar de não nos termos dado a vida, estamos chamados a responder à pergunta (não de um modo teórico, mas profundamente prático): o que é que eu vou fazer com a vida que me foi dada?
E a resolução mais importante parece ser: vou centrar a minha vida em mim ou nos outros?

Claro que um cristão sabe que para centrar a vida nos outros tem antes de a centrar no Outro, que nos deu a vida, e que nos pedirá contas de como a aproveitámos. Esta opção – centrar a vida em nós ou nos outros – é a que mais condicionará o resultado

A decisão mais importante
A decisão mais importante

global da nossa fugaz existência.

É a velha dicotomia expressada por Santo Agostinho há mil e seiscentos anos: dois amores diferentes constroem duas cidades diversas. O amor de Deus até à capacidade de dizer não a si próprio: a cidade celestial. O amor próprio desordenado até à triste capacidade de dizer não a Deus e aos outros: a cidade terrena.

Encontrar alguém generoso ao nosso lado pode ser uma óptima ocasião para pensar com calma: há neste mundo pessoas que se sacrificam por Deus e pelos outros. E eu? Que estou a fazer neste mundo? Que faço por Deus? Que faço pelos outros?
Tenho presente que a decisão mais importante da minha vida devo renová-la, uma vez e outra, todos os dias?
Não basta fazer coisas boas. Isso já é algo – mas é pouco. É preciso fazê-las por amor a Deus e ao próximo. Não por egoísmo ou auto-afirmação.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Tempo da quaresma

Tempo da quaresma

Entramos no tempo da Quaresma: tempo de penitência, de purificação, de conversão. Não é fácil tarefa. O cristianismo não é um caminho cómodo; não basta estar na Igreja e deixar que os anos passem. Na nossa vida, na vida dos cristãos, a primeira conversão – esse momento único, que cada um de nós recorda, em que advertimos claramente tudo o que o Senhor nos pede – é importante; mas ainda mais importantes e mais difíceis são as conversões sucessivas. É preciso manter a alma jovem, invocar o Senhor, saber ouvir, descobrir o que corre mal, pedir perdão, para facilitarmos o trabalho da graça divina nessas sucessivas conversões.

Invocabit me et ego exaudiam eum, lemos na liturgia deste Domingo: Se me chamardes, Eu vos escutarei, diz o Senhor. Reparai nesta maravilha que é o cuidado que Deus tem por nós, sempre disposto a ouvir-nos, atento em cada momento à palavra do homem. Em qualquer altura – mas agora de modo especial, porque o nosso coração está bem disposto, decidido a purificar-se – Ele nos ouve e não deixará de atender ao que Lhe pede um coração contrito e humilhado.

O Senhor ouve-nos para intervir, para Se meter na nossa vida, para nos livrar do mal e encher-nos de bem: eripiam eum et glorificabo eum, Eu o livrarei e o glorificarei, diz do homem. Portanto: esperança do Céu. E aqui temos, como doutras vezes, o começo desse movimento interior que é a vida espiritual. A esperança da glorificação acentua a nossa fé e estimula a nossa caridade. E, deste modo, as três virtudes teologais – virtudes divinas que nos assemelham ao nosso Pai, Deus – põem-se em movimento.

S. JOSEMARIA, Cristo que passa, n. 57.

Homilia pronunciada no dia 2 de Março de 1952, 1º Domingo da Quaresma

Já não escravos, mas irmãos

Já não escravos, mas irmãos

Já não escravos, mas irmãos - Oratório S. JosemariaA Igreja não cessa de se empenhar em acções de carácter caritativo guiada pela verdade sobre o homem. Ela tem o dever de mostrar a todos o caminho da conversão, que induz a voltar os olhos para o próximo, a ver no outro.

Seja ele quem for – um irmão e uma irmã em humanidade, a reconhecer a sua dignidade intrínseca na verdade e na liberdade (…).

Há alguns de nós que, por indiferença, porque distraídos com as preocupações diárias, ou por razões económicas, fecham os olhos.

Outros, pelo contrário, optam por fazer algo de positivo, comprometendo-se nas associações da sociedade civil ou praticando no dia-a-dia pequenos gestos como dirigir uma palavra, trocar um cumprimento, dizer «bom dia» ou oferecer um sorriso; estes gestos, que têm imenso valor e não nos custam nada, podem dar esperança, abrir estradas, mudar a vida a uma pessoa que tacteia na invisibilidade e mudar também a nossa vida face a esta realidade.

Temos de reconhecer que estamos perante um fenómeno mundial que excede as competências de uma única comunidade ou nação. Para vencê-lo é preciso uma mobilização de dimensões comparáveis às do próprio fenómeno (…).

Sabemos que Deus perguntará a cada um de nós: Que fizeste do teu irmão? (cf. Gn 4, 9-10). A globalização da indiferença, que hoje pesa sobre a vida de tantas irmãs e de tantos irmãos, requer de todos nós que nos façamos artífices duma globalização da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperança e levá-los a retomar, com coragem, o caminho através dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca nas nossas mãos.

PAPA FRANCISCO, Excerto da Mensagem da Paz para 2015

Glória a Deus nas alturas

    • Glória a Deus nas alturas.

Glória a Deus nas alturas - Oratório S. JosemariaA primeira coisa que o Natal nos chama a fazer é isto: dar glória a Deus, porque Ele é bom, é fiel, é misericordioso. Neste dia, desejo a todos que possam reconhecer o verdadeiro rosto de Deus, o Pai que nos deu Jesus. Desejo a todos que possam sentir que Deus está perto, possam estar na sua presença, amá-Lo, adorá-Lo. Possa cada um de nós dar glória a Deus sobretudo com a vida, com uma vida gasta por amor d’Ele e dos irmãos.

      • Paz aos homens.

A verdadeira paz – como sabemos – não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela «fachada», por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, mas a paz é artesanal, realiza-se a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo (…).

Senhor do céu e da terra, olhai para este nosso planeta, que a ganância e a ambição dos homens exploram muitas vezes indiscriminadamente (…).

Queridos irmãos e irmãs, hoje, neste mundo, nesta humanidade, nasceu o Salvador, que é Cristo Senhor. Detenhamo-nos diante do Menino de Belém. Deixemos que o nosso coração se comova: não tenhamos medo disso. Não tenhamos medo de que o nosso coração se comova! Precisamos de que o nosso coração se comova. Deixemo-lo abrasar-se pela ternura de Deus, precisamos das suas carícias. As carícias de Deus não fazem feridas: as carícias de Deus dão-nos paz e força. Precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; a Ele, o louvor e a glória pelos séculos! Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus.

Papa Francisco, excertos da Mensagem de Natal de 2013