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A nossa Galileia

A nossa Galileia

A nossa Galileia - Fra angelico Adao do SheollO Evangelho da Ressurreição de Jesus Cristo começa referindo o caminho das mulheres para o sepulcro, ao alvorecer do dia depois do sábado. Querem honrar o corpo do Senhor e vão ao túmulo, mas encontram-no aberto e vazio. Um anjo majestoso diz-lhes: «Não tenhais medo!» (Mt 28, 5). E ordena-lhes que levem esta notícia aos discípulos: «Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia» (28, 7). As mulheres fogem de lá imediatamente. Mas, ao longo da estrada, sai-lhes ao seu encontro o próprio Jesus que lhes diz: «Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá me verão» (28, 10) (…).

Também para cada um de nós há uma “Galileia”,

no princípio do caminho com Jesus. “Partir para a Galileia” significa uma coisa estupenda. Significa redescobrirmos o nosso Baptismo como fonte viva, tirarmos energia nova da raiz da nossa fé e da nossa experiência cristã. Voltar para a Galileia significa antes de tudo retornar lá, àquele ponto incandescente onde a Graça de Deus me tocou no início do caminho. É desta fagulha que posso acender o fogo para o dia de hoje, para cada dia, e levar calor e luz aos meus irmãos e às minhas irmãs. A partir daquela fagulha, acende-se uma alegria humilde, uma alegria que não ofende o sofrimento e o desespero, uma alegria mansa e bondosa.

Na vida do cristão, depois do Baptismo, há também outra “Galileia”. Uma “Galileia” mais existencial: a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo, que me chamou para O seguir e participar na sua missão. Neste sentido, voltar à Galileia significa guardar no coração a memória viva desta chamada. Quando Jesus passou pela minha estrada, olhou-me com misericórdia, pediu-me para O seguir; voltar para Galileia significa recuperar a lembrança daquele momento em que os olhos d’Ele se cruzaram com os meus, quando me fez sentir que me amava.

Hoje, nesta noite, cada um de nós pode interrogar-se: Qual é a minha
Galileia? Trata-se de fazer memória, ir de encontro à lembrança. Onde é a minha Galileia? Lembro-me dela? Ou esqueci-a? Procura e encontrá-la-ás! Ali é onde o Senhor te espera. Andei por estradas e sendas que ma fizeram esquecer. Senhor, ajudai-me! Dizei-me qual é a minha Galileia. Como sabeis, eu quero lá voltar para Vos encontrar e deixar-me abraçar pela vossa misericórdia. Não tenhais medo, não temais, voltai para a Galileia!

Papa Francisco, excerto da homilia de 19-04-2014

S. José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja universal

S. José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja universal

S. José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja universal - Oratório S. JosemariaOlhemos para José como o modelo do educador, que protege e acompanha Jesus no seu caminho de crescimento, «em sabedoria, idade e graça», como reza o Evangelho de Lucas (2, 52).

Ele era o pai de Jesus:

o pai de Jesus era Deus, mas ele desempenhava o papel de pai de Jesus; era pai de Jesus para o fazer crescer. E como o fez crescer? Em sabedoria, idade e graça.

E podemos procurar utilizar precisamente estas três palavras – sabedoria, idade e graça – como uma base para a nossa reflexão.

Comecemos pela idade, que constitui a dimensão mais natural, o crescimento físico e psicológico. Juntamente com Maria, José cuidava de Jesus antes de tudo a partir deste ponto de vista, ou seja, “criou-o”, preocupando-se a fim de que não Lhe faltasse o necessário para um desenvolvimento sadio.

Não esqueçamos que a tutela cheia de esmero da vida do Menino comportou também a fuga para o Egipto, a dura experiência de viver como refugiados (…). Há outro período da vida escondida de Jesus na sua família, no seio da Sagrada Família.

Naqueles anos, José também ensinou a Jesus o seu trabalho,

e Jesus aprendeu a profissão de carpinteiro, juntamente com o seu pai José. Foi assim que José educou Jesus, a tal ponto que, quando era adulto, lhe chamavam “o filho do carpinteiro” (Mt 13, 55).

Passemos à segunda dimensão da educação de Jesus, a da “sabedoria” (…). José foi para Jesus exemplo e mestre desta sabedoria, que se alimenta da Palavra de Deus (…).

E a prova da escuta profunda de Jesus em relação a Deus, José e Maria tiveram-na – de uma maneira que os surpreendeu -. Quando Ele, com doze anos, permaneceu no templo de Jerusalém sem que eles o soubessem; e encontraram-no depois de três dias, enquanto dialogava com os doutores da lei, os quais ficaram admirados com a sua sabedoria.

Eis: Jesus está repleto de sabedoria, porque é o Filho de Deus. Mas o Pai celeste valeu-se da colaboração de São José a fim de que o seu Filho pudesse crescer “cheio de sabedoria” (Lc 2, 40).

Papa Francisco, Extractos da Audiência de 19 de Março de 2014.