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O Anjo da Guarda

O Anjo da Guarda

Para nunca nos deixar sozinhos, Deus pôs ao lado de cada um de nós um Anjo da Guarda que nos ampara, defende e acompanha na vida. Compete a nós saber aceitar a sua presença, ouvindo os seus conselhos com a docilidade de uma criança a fim de nos mantermos no caminho certo rumo ao Paraíso, fortalecidos pela sabedoria popular que nos recorda: o diabo “faz as panelas, mas não as tampas”.

Na oração eucarística IV, há uma frase que nos faz reflectir. Com efeito, dizemos ao Senhor: «Quando, pela sua desobediência, o homem perdeu a tua amizade, Tu não o abandonaste». Pensemos em quando Adão foi expulso do Paraíso: o Senhor não disse “desenrasca-te!”, não o abandonou. Deus enviou sempre ajudas (…). Lê-se no trecho bíblico (Ex 23, 20-23): «Eis que

Eu envio um anjo diante de ti, para te guardar no caminho e para te fazer entrar no lugar que Eu te preparei». O Senhor não o abandonou, mas caminhou com o seu povo, caminhou com aquele homem que tinha perdido a amizade com Ele: o coração de Deus é um coração de pai e nunca abandona os seus filhos.

A liturgia faz-nos reflectir acerca disto, e também sobre um modo particular de companhia, de ajuda que o Senhor nos deu a todos: os Anjos da Guarda (…). Na oração, no início da missa deste dia, pedimos a graça de que no caminho da vida sejamos amparados pela sua ajuda para depois gozarmos com eles no Céu (…).

O Anjo da Guarda anda sempre connosco e esta é uma realidade: é como um embaixador de Deus (…). Ele aconselha-nos, acompanha-nos e caminha connosco em nome de Deus. «Se ouvires a sua voz e fizeres o que Eu te disser, Eu serei o inimigo dos teus inimigos e o adversário dos teus adversários (Ibidem) (…).

Deus envia-nos o Seu anjo para nos libertar, para nos afastar do medo e nos livrar da desventura. Pede-nos unicamente para o ouvir e respeitar. Só isto: respeito e escuta. O respeito e a escuta deste companheiro de caminho chama-se docilidade: o cristão deve ser dócil ao Espírito Santo, mas esta docilidade começa por sermos dóceis aos conselhos deste companheiro de caminho (…).

É “o ícone da criança” que Jesus escolhe, quando quer dizer como deve ser um cristão. «Quem se fizer pequenino como esta criancinha será o maior no reino dos céus (…). Não desprezeis um só destes pequeninos, porque vos digo que os seus anjos nos céus vêem sempre o rosto de meu Pai que está nos céus» (Mt 18, 1-5.10)

(…). A docilidade ao Anjo da Guarda torna-nos como as crianças: não soberbos, mas humildes; faz-nos pequeninos, não altivos como quem é orgulhoso ou soberbo (…). É esta docilidade que nos torna grandes e nos leva ao Céu.

Papa Francisco, Meditação matutina,
Capela Domus Sanctae Marthae, 2-10-2015

A beleza da Criação

A beleza da Criação

Deus escreveu um livro estupendo, «cujas letras são representadas pela multidão de criaturas presentes no universo» (João Paulo II).

E justamente afirmaram os bispos do Canadá que nenhuma criatura fica fora desta manifestação de Deus:

«Desde os panoramas mais amplos às formas de vida mais frágeis, a natureza é um manancial incessante de encanto e reverência.

Trata-se duma contínua revelação do divino» (Conferência Episcopal do Canadá). Os bispos do Japão, por sua vez, disseram algo muito sugestivo:

«Sentir cada criatura que canta o hino da sua existência é viver jubilosamente no amor de Deus e na esperança» (Conferência dos Bispos do Japão).

Esta contemplação da criação

permite-nos descobrir qualquer ensinamento que Deus nos quer transmitir através de cada coisa, porque,

«para o crente, contemplar a criação significa também escutar uma mensagem, ouvir uma voz paradoxal e silenciosa» (João Paulo II).

Podemos afirmar que, «ao lado da revelação propriamente dita, contida nas Sagradas Escrituras, há uma manifestação divina no despontar do sol e no cair da noite» (Idem).

Prestando atenção a esta manifestação, o ser humano aprende a reconhecer-se a si mesmo na relação com as outras criaturas: «Eu expresso-me exprimindo o mundo; exploro a minha sacralidade decifrando a do mundo» (Paul Ricoeur, Philosophie de la volonté).

O conjunto do universo, com as suas múltiplas relações, mostra melhor a riqueza inesgotável de Deus. São Tomás de Aquino sublinhava, sabiamente, que a multiplicidade e a variedade «provêm da intenção do primeiro agente».

O Qual quis que

«o que falta a cada coisa, para representar a bondade divina, seja suprido pelas outras» (Summa theologiae), pois a sua bondade

«não pode ser convenientemente representada por uma só criatura» (Ibidem).

Por isso, precisamos de individuar a variedade das coisas nas suas múltiplas relações.

Assim, compreende-se melhor a importância e o significado de qualquer criatura, se a contemplarmos no conjunto do plano de Deus. Tal é o ensinamento do Catecismo  da  Igreja  Católica:

«A interdependência das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal: o espectáculo das suas incontáveis diversidades e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma.

Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente no serviço umas das outras».

Papa Francisco, Laudato Si (Louvado sejas), “Sobre o cuidado da casa comum”, nn. 85 e 86.

Mãe de Misericórdia

Mãe_Misericórdia_OratórioO pensamento volta-se agora para a Mãe da Misericórdia.

A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus. Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor.

Escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus,

Maria foi preparada desde sempre, pelo amor do Pai, para ser a Arca da Aliança entre Deus e os homens. Guardou, no seu coração, a misericórdia divina em perfeita sintonia com o seu Filho Jesus. O seu cântico de louvor, no limiar da casa de Isabel, foi dedicado à misericórdia que se estende de geração em geração (Lc 1, 50). Também nós estávamos presentes naquelas palavras proféticas de Nossa Senhora. Isto servir-nos-á de conforto e apoio no momento de atravessarmos a Porta Santa para experimentar os frutos da misericórdia divina.

Ao pé da cruz, Maria, juntamente com João, o discípulo do amor,

é testemunha das palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus. O perdão supremo oferecido a quem O crucificou, mostra-nos até onde pode chegar a misericórdia de Deus. Maria atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém. Dirijamos-Lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-Lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto de misericórdia, do seu Filho Jesus.

Papa Francisco, Bula Misericordiae Vultus, 24

A nossa Galileia

A nossa Galileia

A nossa Galileia - Fra angelico Adao do SheollO Evangelho da Ressurreição de Jesus Cristo começa referindo o caminho das mulheres para o sepulcro, ao alvorecer do dia depois do sábado. Querem honrar o corpo do Senhor e vão ao túmulo, mas encontram-no aberto e vazio. Um anjo majestoso diz-lhes: «Não tenhais medo!» (Mt 28, 5). E ordena-lhes que levem esta notícia aos discípulos: «Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia» (28, 7). As mulheres fogem de lá imediatamente. Mas, ao longo da estrada, sai-lhes ao seu encontro o próprio Jesus que lhes diz: «Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá me verão» (28, 10) (…).

Também para cada um de nós há uma “Galileia”,

no princípio do caminho com Jesus. “Partir para a Galileia” significa uma coisa estupenda. Significa redescobrirmos o nosso Baptismo como fonte viva, tirarmos energia nova da raiz da nossa fé e da nossa experiência cristã. Voltar para a Galileia significa antes de tudo retornar lá, àquele ponto incandescente onde a Graça de Deus me tocou no início do caminho. É desta fagulha que posso acender o fogo para o dia de hoje, para cada dia, e levar calor e luz aos meus irmãos e às minhas irmãs. A partir daquela fagulha, acende-se uma alegria humilde, uma alegria que não ofende o sofrimento e o desespero, uma alegria mansa e bondosa.

Na vida do cristão, depois do Baptismo, há também outra “Galileia”. Uma “Galileia” mais existencial: a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo, que me chamou para O seguir e participar na sua missão. Neste sentido, voltar à Galileia significa guardar no coração a memória viva desta chamada. Quando Jesus passou pela minha estrada, olhou-me com misericórdia, pediu-me para O seguir; voltar para Galileia significa recuperar a lembrança daquele momento em que os olhos d’Ele se cruzaram com os meus, quando me fez sentir que me amava.

Hoje, nesta noite, cada um de nós pode interrogar-se: Qual é a minha
Galileia? Trata-se de fazer memória, ir de encontro à lembrança. Onde é a minha Galileia? Lembro-me dela? Ou esqueci-a? Procura e encontrá-la-ás! Ali é onde o Senhor te espera. Andei por estradas e sendas que ma fizeram esquecer. Senhor, ajudai-me! Dizei-me qual é a minha Galileia. Como sabeis, eu quero lá voltar para Vos encontrar e deixar-me abraçar pela vossa misericórdia. Não tenhais medo, não temais, voltai para a Galileia!

Papa Francisco, excerto da homilia de 19-04-2014

S. José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja universal

S. José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja universal

S. José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja universal - Oratório S. JosemariaOlhemos para José como o modelo do educador, que protege e acompanha Jesus no seu caminho de crescimento, «em sabedoria, idade e graça», como reza o Evangelho de Lucas (2, 52).

Ele era o pai de Jesus:

o pai de Jesus era Deus, mas ele desempenhava o papel de pai de Jesus; era pai de Jesus para o fazer crescer. E como o fez crescer? Em sabedoria, idade e graça.

E podemos procurar utilizar precisamente estas três palavras – sabedoria, idade e graça – como uma base para a nossa reflexão.

Comecemos pela idade, que constitui a dimensão mais natural, o crescimento físico e psicológico. Juntamente com Maria, José cuidava de Jesus antes de tudo a partir deste ponto de vista, ou seja, “criou-o”, preocupando-se a fim de que não Lhe faltasse o necessário para um desenvolvimento sadio.

Não esqueçamos que a tutela cheia de esmero da vida do Menino comportou também a fuga para o Egipto, a dura experiência de viver como refugiados (…). Há outro período da vida escondida de Jesus na sua família, no seio da Sagrada Família.

Naqueles anos, José também ensinou a Jesus o seu trabalho,

e Jesus aprendeu a profissão de carpinteiro, juntamente com o seu pai José. Foi assim que José educou Jesus, a tal ponto que, quando era adulto, lhe chamavam “o filho do carpinteiro” (Mt 13, 55).

Passemos à segunda dimensão da educação de Jesus, a da “sabedoria” (…). José foi para Jesus exemplo e mestre desta sabedoria, que se alimenta da Palavra de Deus (…).

E a prova da escuta profunda de Jesus em relação a Deus, José e Maria tiveram-na – de uma maneira que os surpreendeu -. Quando Ele, com doze anos, permaneceu no templo de Jerusalém sem que eles o soubessem; e encontraram-no depois de três dias, enquanto dialogava com os doutores da lei, os quais ficaram admirados com a sua sabedoria.

Eis: Jesus está repleto de sabedoria, porque é o Filho de Deus. Mas o Pai celeste valeu-se da colaboração de São José a fim de que o seu Filho pudesse crescer “cheio de sabedoria” (Lc 2, 40).

Papa Francisco, Extractos da Audiência de 19 de Março de 2014.

Já não escravos, mas irmãos

Já não escravos, mas irmãos

Já não escravos, mas irmãos - Oratório S. JosemariaA Igreja não cessa de se empenhar em acções de carácter caritativo guiada pela verdade sobre o homem. Ela tem o dever de mostrar a todos o caminho da conversão, que induz a voltar os olhos para o próximo, a ver no outro.

Seja ele quem for – um irmão e uma irmã em humanidade, a reconhecer a sua dignidade intrínseca na verdade e na liberdade (…).

Há alguns de nós que, por indiferença, porque distraídos com as preocupações diárias, ou por razões económicas, fecham os olhos.

Outros, pelo contrário, optam por fazer algo de positivo, comprometendo-se nas associações da sociedade civil ou praticando no dia-a-dia pequenos gestos como dirigir uma palavra, trocar um cumprimento, dizer «bom dia» ou oferecer um sorriso; estes gestos, que têm imenso valor e não nos custam nada, podem dar esperança, abrir estradas, mudar a vida a uma pessoa que tacteia na invisibilidade e mudar também a nossa vida face a esta realidade.

Temos de reconhecer que estamos perante um fenómeno mundial que excede as competências de uma única comunidade ou nação. Para vencê-lo é preciso uma mobilização de dimensões comparáveis às do próprio fenómeno (…).

Sabemos que Deus perguntará a cada um de nós: Que fizeste do teu irmão? (cf. Gn 4, 9-10). A globalização da indiferença, que hoje pesa sobre a vida de tantas irmãs e de tantos irmãos, requer de todos nós que nos façamos artífices duma globalização da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperança e levá-los a retomar, com coragem, o caminho através dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca nas nossas mãos.

PAPA FRANCISCO, Excerto da Mensagem da Paz para 2015

Glória a Deus nas alturas

    • Glória a Deus nas alturas.

Glória a Deus nas alturas - Oratório S. JosemariaA primeira coisa que o Natal nos chama a fazer é isto: dar glória a Deus, porque Ele é bom, é fiel, é misericordioso. Neste dia, desejo a todos que possam reconhecer o verdadeiro rosto de Deus, o Pai que nos deu Jesus. Desejo a todos que possam sentir que Deus está perto, possam estar na sua presença, amá-Lo, adorá-Lo. Possa cada um de nós dar glória a Deus sobretudo com a vida, com uma vida gasta por amor d’Ele e dos irmãos.

      • Paz aos homens.

A verdadeira paz – como sabemos – não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela «fachada», por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, mas a paz é artesanal, realiza-se a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo (…).

Senhor do céu e da terra, olhai para este nosso planeta, que a ganância e a ambição dos homens exploram muitas vezes indiscriminadamente (…).

Queridos irmãos e irmãs, hoje, neste mundo, nesta humanidade, nasceu o Salvador, que é Cristo Senhor. Detenhamo-nos diante do Menino de Belém. Deixemos que o nosso coração se comova: não tenhamos medo disso. Não tenhamos medo de que o nosso coração se comova! Precisamos de que o nosso coração se comova. Deixemo-lo abrasar-se pela ternura de Deus, precisamos das suas carícias. As carícias de Deus não fazem feridas: as carícias de Deus dão-nos paz e força. Precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; a Ele, o louvor e a glória pelos séculos! Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus.

Papa Francisco, excertos da Mensagem de Natal de 2013